Lagostins Vilecraw da Biospawn - disponíveis através da www.onefishplus.com

Fiz a minha abertura deste ano em barragens pequenas e percebi que a vegetação é uma constante. Por isso, achei que devia publicar este artigo sobre algumas formas de pescar em presença de vegetação. Muitos dos pescadores iniciados evitam pescar em maciços de ervas ou mesmo em vegetação vertical. O problema é evitar perder iscos e, por outro lado, conseguir capturas quando a resistência da linha é levada ao extremo e acaba por não resistir.

Podemos mesmo começar por aí: que cana e que linha usar para fazer frente a este tipo de coberturas? Para mim a resposta é óbvia: canas de acção heavy ou mesmo extra-heavy, com ponteiras rápidas ou muito rápidas, e linhas entrançadas.

O primeiro da manhã da abertura 2014

O primeiro da manhã da abertura 2014

Qualquer cobertura cerrada deve ser pescada com canas fortes que nos permitam arrancar os peixes, especialmente os de maior porte, de dentro delas. Quanto à minha escolha de linha… Acreditem! Não gosto nada das linhas entrançadas, fui dos primeiros a usá-las quando apareceram e fui também dos primeiros a abandoná-las. São mais difíceis de lançar, os carretos não estão preparados para a sua falta de elasticidade e para a sua robustez, até os passadores das canas se podem ressentir do seu uso. Claro que os materiais evoluíram, essas linhas têm hoje um grau de preparação muito superior, as canas e os carretos evoluíram… Mesmo assim, não me ajusto bem a estas linhas. Faço, porém, uma excepção quando pesco em ervas. A vantagem que me faz renunciar a tudo o resto é a capacidade que as linhas têm de cortar as ervas. Ao contrário das linhas de nylon, dos copolímeros ou mesmo dos fluorocarbonos, que arrastam as ervas consigo, à medida que o peixe se desloca por debaixo delas, e se tornam cada vez menos capazes de resistir ao peso que vão acumulando, e às investidas de um achigã que luta pela sua vida.

Agora, vamos usá-las em todas as técnicas em que as ervas, mais ou menos compactas, sejam abundantes? A minha resposta é SIM! SEMPRE!

 

A Scum Frog

As imitações de rãs ou de ratos já são conhecidas desde há várias décadas, mas era sempre um problema para nós europeus, que não gostamos de usar linhas muito grossas, conseguirmos capturar um achigã de dois quilos, com mais quatro ou cinco de ervas. Na verdade, até um peixe mais pequeno pode fazer um grande volume e peso de ervas. Muitos de nós evitavam pescar em ervas compactas por esse motivo. Era quase tentar enganar um peixe para depois o ver ir embora e levar a nossa amostra. A amostra, com as suas patas de filamentos, avançava sobre as ervas provocando ataques estrondosos, de cortar a respiração. O primeiro problema era conseguir ferrar o peixe, dizia-se até que era normal conseguir-se uma captura em cada três ataques, o segundo era o de que já falámos – o peso das ervas acumuladas.

Scum frog

Scum frog

Com o tempo aprendemos que tínhamos de deixar de ferrar quando ouvíamos ou víamos os ataques. É necessário um compasso de espera, aconselhava-se que contássemos devagar: um… dois… três… quatro… e ferrar aos cinco. Passámos a ter mais sucesso quando conseguimos essa disciplina rigorosa de ver e ouvir um achigã atacar a nossa rã e não fazermos nada por alguns segundos. Diga-se que há muitos pescadores que ainda hoje não conseguem. Temos de ter muita atenção e muita disciplina para ter êxito com estas rãs.

Hoje, consigo não reagir ao ataque, mas não faço contagem nenhuma. Tenho a noção correcta de quando devo executar a ferragem, mas isso requer muitos anos de uso destes iscos e muita disciplina mental. Não sei explicar bem o que me leva a ferrar num determinado momento, mas há qualquer coisa no movimento do peixe que me dá essa certeza. Não posso dizer que tenha 100 por cento de êxito, mas estou muito acima de falhar dois em cada três, posso mesmo afirmar que não falho, na ferragem, mais do que um em vinte.

O meu método consiste em pescar com os materiais referidos e ter sempre a ponteira da cana perto da vertical, efectuando pequenos toques para que a rã pareça nadar, num movimento que não deve ser interrompido, pode ser mais rápido ou mais lento, pode até variar-se a velocidade numa mesma recuperação, mas sempre em recuperação, sempre em movimento. Quando ocorre um ataque, baixo a cana para uma posição mais baixa, quase a tocar a água e, se o peixe se afastar, um pouco antes de ter a linha tensa, ferro, se se aproximar de mim, que é a pior das situações, recolho a linha e ferro antes de estar tensa. Normalmente funciona. O peixe tem tendência para afundar, os anzóis estão completamente escondidos no corpo da rã, que tem um corpo mole, é muito difícil que se aperceba da artificialidade do isco antes dos sete ou oito segundos.

Scum frog

Scum frog

Quem colocou de lado estas amostras que as retire das caixas velhas, ou que compre novas, porque e uma arma como poucas para pescar em ervas de qualquer tipo. Não se esqueçam que um dos melhores pescadores profissionais da actualidade, Dean Rojas, usa esta amostra com mais confiança que qualquer outra. Este especialista usa-as mesmo em águas abertas, sem cobertura nenhuma, e com muito êxito.

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O Horny Toad

Toad - A cana heavy e a linha entrançada são fundamentais para esta técnica

Toad – A cana heavy e a linha entrançada são fundamentais para esta técnica

A Zoom lançou há poucos anos uma amostra que viria a revolucionar a pesca de superfície, especialmente em vegetação densa. O Horny Toad é uma imitação de rã de corpo compacto e pesado, para facilitar o lançamento, que se usa com um anzol 5/0 ou maior para efectuar um corrico à superfície, passando por cima e por entre qualquer tipo de vegetação. Foi muito usada no ano passado na prova máxima do circuito americano e posso assegurar-vos que o terceiro lugar foi conseguido desta forma por Ron Shuffield. Ron é um amigo que entrevistei em 1998, da primeira vez que assisti a um

Bassmasters Classic, e que nunca mais perdi de vista ou de contacto. Todos os anos tentava acompanhá-lo no seu barco, mas por motivos que não consigo explicar nunca tinha conseguido. Quando veio a Espanha à Eurobass Cup, dissemos um ao outro que em 12 pares com cinco sorteios ia, por certo, ser dessa vez… Mas, contra as nossas previsões, isso não veio a suceder. Finalmente, em 2006, consegui acompanhá-lo, na qualidade de observador/jornalista e assisti ao seu melhor dia de pesca. Nesse segundo dia de prova, Ron subiu do décimo lugar para o segundo com cerca de dez quilos de peixe. Vi-o pescar, com este isco, o primeiro peixe com mais de dois quilos, o penúltimo com cerca de três quilos e o último com muito perto de quatro, … pena que os outros dois peixes que pesou fossem mais pequenos, porque poderia ter vencido o Bassmasters Classic no ano em que abandonou os circuitos da B.A.S.S.. Acabou em terceiro, como já vos disse, mas aquele dia foi dos dias em que mais informação recolhi, em relação ao uso destes iscos.

Toad - Estes iscos usam-se num corrico constante, como se fosse um buzzbait

Toad – Estes iscos usam-se num corrico constante, como se fosse um buzzbait

A vegetação estava quase à superfície de água, porque o lago tinha subido com uma fortes chuvadas recentes, em certas zonas saía fora de água. A evolução daquele isco pela superfície, como se fosse um buzzbait, provocada ataques estrondosos, não muitos, mas, em cerca de sete ataques, Ron conseguiu capturar três, tendo os outros peixes falhado completamente a amostra. Todo o material era heavy e usava um entrançado de 40 libras que cortava as ervas, neste caso hydrila, como uma faca, de tal forma que, como se pode ver na fotografia, o maior peixe lhe chegou às mãos com muito pouca erva depois de alguns minutos a passear num campo compacto de vegetação. Neste caso tratava-se simplesmente de uma técnica que, não proporcionando muitos ataques, seleccionava muito bem a qualidade das capturas.

Toad - Ron Shuffield inicia o dia com um bass de 2,5 quilos

Toad – Ron Shuffield inicia o dia com um bass de 2,5 quilos

No primeiro dia deste mesmo Clássico tinha visto Larry Nixon pescar uma fêmea com mais de dois quilos com o mesmo tipo de amostra e de técnica, porém, após essa captura não conseguiu mais nenhuma e mudou para outro tipo de técnicas.

Toad - Mais uma vítima do Horny Toad

Toad – Mais uma vítima do Horny Toad

Eu mesmo, que sempre vou uns dias antes para estas provas para me adaptar ao clima e ao ambiente envolventes, fui pescar com um outro amigo, Art Ferguson III, que me mostrou como se usavam estas amostras. Confesso que já as tinha visto nas lojas, mas não sabia como usá-las. Logo pela manhã consegui um bonito floridanus com quase três quilos. Foi uma emoção muito forte, já que estávamos a pescar numa zona com cerca de 40 centímetros de profundidade e nunca tinha visto tanta vegetação na minha vida. O peixe deu-me uma boa luta mas acabou na fotografia antes de ser devolvido à água.

Toad - Um exemplar com perto de quatro quilos! Notem que as ervas que vieram com o peixe são muito poucas

Toad – Um exemplar com perto de quatro quilos! Notem que as ervas que vieram com o peixe são muito poucas

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Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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