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4 de julho de 1997. Ray Scott visita Portugal e, como era ainda presidente da organização que fundou – a B.A.S.S. – lembrou-se de pedir a lista de membros da organização no nosso país. Fomos todos contactados e logo se fez a ponte com a APPA que tinha uma prova marcada para a barragem do Torrão, no rio Tâmega, no concelho de Marco de Canaveses. Decidiu-se que não haveria melhor maneira de o receber do que numa prova, não fosse ele o pai da competição organizada na pesca do achigã. Foi convidado a estar presente e a participar na prova se assim o entendesse.

Ray tinha sido convidado por um jovem oficial da Força Aérea Portuguesa que estava numa Base perto da sua terra. Manuel Rolo, de seu nome, o jovem oficial tinha sido convidado para uma festa em casa de Ray Scott de onde resultou um convite para pescar no seu lago. Durante a pescaria, Ray deu-lhe conta de que não sabia o que fazer nas suas próximas férias, não fosse o jovem militar português e tudo ficaria por aí, mas, é claro que foi logo convidado a visitar o nosso país.

A organização da prova estava a cargo de um núcleo que a APPA aglutinou na zona do Grande Porto e não poderia estar em melhores mãos. Os portugueses são todos bons a receber e não me levem a mal os restantes que diga que o pessoal do Norte supera qualquer outra zona do nosso país nessa nobre arte. Fez-se rampa, montou-se um barracão e além da boa comida houve animação com cantares ao desafio entre outros tipos de folclore típico da zona. Nem o então presidente da Câmara Municipal – Avelino Ferreira Torres – faltou, tendo feito questão de conhecer o ilustre americano e de posar com ele em fotografias para a Imprensa local.

Eu estava sempre envolvido em todas as organizações. Tinha ido várias vezes à zona reunir e pescar com o nosso núcleo do Norte e fazia a ponte da APPA com a organização. Claro que, como se tratava de um convívio, também pesquei, na altura com o meu grande amigo Diamantino Domingues. Foi uma prova muito gira que me deixa imensas saudades por tudo o que representou na altura para todo este mundo da pesca do achigã em Portugal.

Lembro-me que estava numa residencial em Marco de Canaveses, onde ficaríamos quase todos os de fora, quando o Jaime Sacadura veio ao meu quarto e me disse que o Ray Scott estava à minha espera para me conhecer… Os irmãos Sacadura tinham dado boleia ao nosso convidado de Lisboa até lá. Foram momentos que jamais esquecerei, mas muito pessoais para partilhar… O que interessa para esta prosa é que decidimos, no final do primeiro dia de pesca, levar o senhor a jantar a Amarante, a um restaurante sobranceiro ao Tâmega que mais baixo tinha sido por nós pescado durante a tarde.

Ray Scott é um animador de massas e de qualquer tipo de grupo em que se integra. É, sem dúvida, e era mais ainda na altura, um líder nato. O jantar foi excelente… Toda a gente contou as suas anedotas e ele foi quem mais contou, mas não estava ali só para isso… Depois de ter avaliado o grupo acercou-se de mim e começou-me a explicar que a B.A.S.S. tinha federações espalhadas pela América e pelo mundo, que os pescadores de Itália estavam a ultimar a sua e que gostaria muito de ver surgir uma em Portugal… Fez-me o esboço que guardo até hoje num pedaço de papel que rasgou da toalha de mesa para me dar. E foi aí que tudo começou… Houve uma vaga inicial que quase deu origem à federação, mas o ano 2000 não foi o da sua fundação. Já expliquei porquê a quem quis ouvir quando voltei a tentar mais recentemente. Não consegui. É verdade, mas no seguimento do meu segundo esforço, originado pelas condições que se criaram em 2012/2013, a BASS Nation de Portugal nasceu e segue hoje o seu caminho sob uma liderança forte proporcionada por Ramon Menezes e a sua equipa que pegou num «nado-quase-morto», provocado pela saída do primeiro presidente, e soube dar-lhe um rumo e uma direcção à altura.

O esboço que tudo começou

O esboço que tudo começou

Estamos a chegar a outra fase crítica. Esta direcção já manifestou intenção de se afastar para dar lugar a outras lideranças que possam prosseguir o seu excelente trabalho. Os desafios são muitos, quer desportivos quer na defesa da espécie, espero que surja alguém capaz de levar a bom porto as difíceis tarefas que se avizinham… Perdoem-me mas tenho de partilhar um receio que me preocupa desde a APPA e também por causa da mesma. Uma direcção que sai sem líder à vista, deixa uma orfandade que pode ser aproveitada por gente menos bem-intencionada que leve a instituição ao caos… Todos sabemos do que falo e não creio que possa exigir aos atuais dirigentes que prossigam em nome deste receio. Nada disso, é apenas um receio e um alerta. Aos que saem deixo-lhes o meu eterno e humilde agradecimento.

Só para terminar queria lembrar que a prova do Torrão foi vencida por uma dupla que na época estava imparável – Mendes da Cruz e Carlos Santos Marques – que deram uma lição de pesca a todos os outros.

José Mendes da Cruz e Carlos Santos Marques receberam das mãos de Ray Scott os troféus relativos à vitória

José Mendes da Cruz e Carlos Santos Marques receberam das mãos de Ray Scott os troféus relativos à vitória

Ray Scott voltou no ano seguinte com a sua mulher e não se esqueceu de nós na sua biografia «Bass Boss». Fica o excerto… A recordar o já saudoso amigo Ventura Silva que já tinha encontrado no Zimbabwe muitos anos antes.

Excerto da biografia

Excerto da biografia

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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