Lagostins Vilecraw da Biospawn - disponíveis através da www.onefishplus.com

De facto quem inventou este empate não fazia ideia de que um dia poderia fazer com ele uma apresentação ultra-realística. O empate wacky consiste em pegar numa qualquer amostra de plástico e mole espetá-la pelo meio. Simples, não é? As técnicas associadas vão desde as rápidas até ao deadsticking (sem movimento ou quase).

A primeira ideia de uso deste empate passava por uma técnica irritante em que, com toques seguidos, se obrigava a amostra a fechar e a abrir. Confesso que quando a vi pela primeira vez pensei: «Que maravilha para peixes muito activos…»; fiquei estupefacto com a simplicidade e com o trabalhar maluco que proporcionava, porém, eu não poderia estar mais errado… Este empate, não serve apenas para peixes activos, em caça frenética, como pode, com ligeiras adaptações, servir para as situações mais diversas.

Hoje em dia, usa-se mais que nunca e, longe de se tratar de uma moda, é, isso sim, uma ferramenta essencial para a pesca do achigã, mesmo para a competição.

Empate wacky inicial

Empate wacky inicial

Uma das primeiras evoluções foi provocada pelo aparecimento de anzóis especiais para este efeito. Trata-se de anzóis mais pequenos do que os que estamos habituados e com forma menos longa que os que se usam para a pesca com este tipo de iscos. Depois, a descentragem do local onde se espeta o anzol, proporcionou apresentações mais erráticas ainda, bem como a adição de pesos de inserir, numa das pontas, obrigando a amostra a trabalhar centrada numa das extremidades, que sempre atinge o fundo mais rápido que a outra e obrigando também a uma descida vertical. O uso de cintas ou anéis de protecção, especialmente para iscos com muito sal, que se estragam com mais facilidade, foi outra das evoluções importantes, podendo mesmo alterar a forma de trabalhar do empate consoante o seu uso.

Empate wacky com anzol descentralizado e adição de peso numa das pontas

Empate wacky com anzol descentralizado e adição de peso roscado numa das pontas

Empate wacky com anzol anti-erva e adição de peso inserido ("insert") numa das pontas

Empate wacky com anzol anti-erva e adição de peso inserido (“insert”) numa das pontas, ideal para zonas de vegetação

Muitas destas evoluções chegaram do Japão e o génio criativo de Seiji Kato começou a desenvolver pequenos jigs para o empate wacky. Desenhou ainda uma minhoca mais fina que o que estamos habituados a ver para usar com estes cabeçotes – o Flick Shake – tendo, estas duas novidades revolucionado mais uma vez o wacky rig.

Empate wacky com cabeçote

Empate wacky com cabeçote

Flick shake

Flick shake

Outro criativo da pesca do achigã, Teiji Hamada, que trabalhou com Kato, desenvolveu o seu estilo de pescar com dois iscos de plástico mole, do tipo do Flick Shake, ao mesmo tempo num cabeçote. De facto, o desenho da Wavy Twin foi outra evolução muito grande. A forma como se move é inovadora e muito irritante para os peixes que possam estar a ver ou a sentir.

Wavy twin

Wavy twin

Por fim, uma aproximação recente colocou esta técnica no patamar da imitação do real. Já toda a gente viu um lagostim em fuga… A sua deslocação é feita através do fechar e abrir do seu corpo, executando impulsões a cada movimento. Trata-se de um movimento compassado e com variações de velocidade, uma vez que, de cada vez que se abre há uma espécie de pausa, por muito pequena que seja. Pois bem. Se pegarmos num lagostim de plástico mole e lhe colocarmos na base um peso, bastará prendermo-lo pelas costas, mais ou menos pelo meio, para que com a ponteira da nossa cana possamos obrigá-lo a movimentar-se com realismo. A colocação do anzol deve ser na vertical e com a ponta para cima, uma vez que, furá-lo de lado a lado, iria obrigá-lo a executar movimentos horizontais e, por consequente, menos realistas.

Empate wacky de lagostim de vinil

Empate wacky de lagostim de vinil

Vejam as diversas montagens e experimentem, vão ver que esta aproximação é muito mais que uma forma estranha de pescar. Tenha sempre em atenção que esta é, normalmente, uma técnica de finesse, mas pode ser usada com todo o tipo de canas e de carretos.

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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