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Quando chegam os dias quentes regressa-nos a vontade de ir pescar cedinho ou de aproveitarmos o entardecer. A pesca a essas horas é muito mais confortável, além de proporcionar ambientes e momentos de beleza ímpar. As horas de pouca luz dão-nos uma oportunidade de enganarmos os achigãs quando eles vêem pior e são obrigados a socorrer-se de outros sentidos, como o ouvido e a percepção de vibrações pela linha lateral. O que se passa nestas horas com a visão deste magnífico predador fragiliza-o em relação a nós. De facto, nestes períodos processa-se uma adaptação transitiva entre os modos de visão nocturna e diurna, ou vice-versa, consoante se estamos a falar do amanhecer ou do entardecer. Essa vantagem traduz-se num decréscimo da acuidade visual que pode ser aproveitada para nos perdoar as nossas imitações toscas dos seres de que se alimentam. São horas em que, por nada deste mundo, perco uma boa pescaria à superfície.

Horas mágicas para a pesca de superfície...

Horas mágicas para a pesca de superfície…

Os «wake baits»

O conceito de pesca à superfície tem sido alargado nos últimos anos por uma subfamília de amostras que usa não só a superfície, como também os primeiros centímetros da coluna de água, no máximo até aos vinte centímetros. Estamos a falar de uma revolução que começou com Toshianri Namiki, quando inventou o Buzzn’crank, da OSP, no ano 2000. Logo de seguida lançou o Daibuzzin, com o mesmo princípio, mas mais volumoso, o próprio Namiki prefere esta amostra para pescar depois da desova.

Nesta classe também se incluem o Feather Crank, da Bassday

Nesta classe também se incluem o Feather Crank, da Bassday

Trata-se amostras de plástico rijo, normalmente curtas, compactas e providas de uma pala quase vertical. Este ângulo de pala obriga a amostra a movimentos laterais ondulantes que provocam muita turbulência na água. Muitos de nós tomámos contacto com essas amostras através do Rat-a-tat, da Evergreen, mas, mais recentemente apareceram no nosso mercado os da OSP, o Bubble Crank e o Feather Crank, da Bassday, os Griffon Zero e os Baby Griffon Zero, da Megabass, tendo esta marca lançado ainda os Anthrax e Anthrax 100, de corpo longo, mas com o mesmo tipo de pala quase vertical. Uma das invenções mais surpreendentes, porém, foi o Hama-ku-ru-R, desenhado para a Jackall pelo grande designer de amostras Teiji Hamada. Mais recentemente, conheci outra inovação, de uma marca que está para chegar ao nosso mercado, trata-se do Mazzy Popper, da Viva, uma amostra que se enquadra perfeitamente neste género. Não esqueçamos o Buzzjet e o Buzzjet Jr., da Deps, que, embora um pouco diferentes, intermédios entre as mais pequenas e as mais alongadas, podem ser usados como «wake baits».

Técnicas

Como disse os «wake baits» são um pouco mais versáteis que as tradicionais amostras de superfície, uma vez que podem ser usadas aos esticões ligeiros, imitando as poppers; num trabalho lento e contínuo, em que mais se assemelham a um buzzbait; ou em recuperações mais rápidas, assumindo aqui o papel de crankaits, ou jerkbaits, no caso das mais longas. É verdade que, nesta última aplicação, passam a amostras de subsuperfície, mas, como trabalham muito próximo da superfície, serão percepcionadas pelos achigãs como iscos de superfície, ou seja, quer lhe sintam apenas o som e a vibração quer as vejam mesmo, os peixes estarão sempre a um nível inferior, dando conta destes objectos de baixo para cima.

Como amostras de superfície

Um belo exemplar capturado com um Baby Griffon Zero, da Megabass

Um belo exemplar capturado com um Baby Griffon Zero, da Megabass

O que nos interessa neste artigo é como usar estas amostras à superfície. Pois bem, antes de mais aconselho o uso de uma cana de acção média, ou mesmo média-leve para os tamanhos mais pequenos. O resto é muito simples. Se queremos usá-las como poppers, basta executarmos esticões, mais ou menos suaves, com paragens de forma a permitir que retornem à superfície. A cadência pode ser rápida ou lenta, como quisermos e como acharmos que podemos obter melhores resultados, até porque, trabalhando tão perto da superfície, a emersão é quase imediata.

Para as trabalharmos em recuperação contínua devemos fazê-lo mais lentamente e com a ponteira da cana bem levantada, a mais de quarenta e cinco graus, em relação ao plano de água.

É importante adaptarmos sempre a velocidade às condições de pesca. Em águas frias ou demasiado quentes deveremos dar mais tempo ao peixe, bem como nas águas fechadas. Se estivermos a trabalhar em águas transparentes devemos ser mais rápidos, assim como nos dias em que as águas estiverem acima dos vinte graus e abaixo dos vinte e sete. Esta é a teoria geral, depois temos de experimentar sempre. Como sabemos, há dias em que tudo funciona ao contrário, mas devemos ter sempre presentes os princípios básicos.

Corpos e formas

Relativamente aos tamanhos, os Anthrax, e o Hama-ku-ru-R, de corpos mais longos serão melhores nos dias e nas águas de menor visibilidade. A regra dos tamanhos diz-nos que, quanto mais activos estiverem os peixes, maiores devem ser as amostras a usar, uma vez que o metabolismo deles estará acelerado e necessitam de muita comida. A grande vantagem do Anthrax está no seu desenho. A pala está colocada nas costas do peixe que imita, assim como os anzóis, parecendo um peixe aflito que está de barriga para cima, sem se conseguir voltar. Esta acção torna a presa muito vulnerável aos olhos dos predadores como o achigã. A barbatana anal, que é fixa na Anthrax e móvel no Anthrax 100, provoca uma acção extra que torna a amostra ainda mais fora do vulgar, emitindo vibrações bem diferentes das outras deste tipo.

O Hamakuru, da Jackal, tem o corpo em três partes unidas por articulações, o que provoca sons e vibrações também muito fora do normal. Vi, no Bassmasters Classic de 2008, Jeff Kriet a usar uma destas amostras de uma forma que me impressionou. Havia cardumes de peixes-presa a serem atacados por achigãs e a forma como a amostra evoluía por entre o cardume, que se via à superfície, obrigava os pequenos peixes a desviarem-se dela, chamando a atenção dos predadores.

No barco de Jeff Kriet, no Bassmaster Classic de 2008, lá estava pronto a usar um Ha-ma-ku-ru

No barco de Jeff Kriet, no Bassmaster Classic de 2008, lá estava pronto a usar um Ha-ma-ku-ru

Em relação às mais compactas, como o Daibuzzin, o Bubble Crank ou o Rat-a-tat podemos usá-las para quase todas as situações de pesca à superfície, uma vez que, embora não sejam tão grandes, emitem vibrações e sons mais que suficientes para serem localizadas pelos achigãs. No caso de a água estar muito limpa, e de querermos esta acção com mais tamanho, basta acrescentarmos uma fateixa adornada por penas, pelos ou filamentos de «mylar», no caso do Feather Crank não é necessário acrescentar porque já vem assim de fábrica; o Rat-a-tat tem um dispositivo na parte de trás onde se pode prender um atrelado à nossa escolha para o tornar mais longo e mais apelativo.

Experimente os wake baits na sua próxima pescaria e deixe-se encantar por eles.

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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