Lagostins Vilecraw da Biospawn - disponíveis através da www.onefishplus.com

Tal como os buzzbaits, os walkbaits ou passeantes costumam atrair peixes grandes. Dentro das amostras de superfície são das mais aptas para esse efeito, mas há muitos tipos de walkbaits e é preciso sabermos como escolher consoante as situações que se nos deparam.

Originariamente designadas por stickbaits, por serem feitas em pau (stick), estas amostras têm um evoluir muito particular quando correctamente trabalhadas. A animação ziguezagueante lado a lado é conseguida com sucessivos toques de ponteira que originam o chamado walking-the-dog (passeando do cão) tão apelativo para os predadores que estejam por perto. Hoje, no entanto, a maioria é feita em plástico e tem câmaras com esferas (rattles) para produzir som.

Apesar de serem amostras para peixes grandes, os mais pequenos também não resistem

Apesar de serem amostras para peixes grandes, os mais pequenos também não resistem

O que imitam

Muitas vezes quando usamos estas amostras parece-nos que imitam uma cobra a movimentar-se dentro de água. De facto parece, mas, dizem os inventores que o que se pretende imitar com estas amostras é um peixe ferido que não tem controlo sobre os seus movimentos, por isso, não é muito importante que os movimentos sejam exactos, ao contrário do que muitos podem pensar. O que nos faz executar a técnica com uma exactidão de relógio é a nossa vontade apenas, a mania que temos de nos aproximarmos da abstracta perfeição, coisa que um ser em agonia nunca poderia fazer. Gostamos de ver o ziguezague e quanto mais perfeito mais gostamos… É uma coisa que não conseguimos evitar, ao que parece.

Classificação

Para classificar este tipo de amostras podemos usar o tamanho/peso, por um lado, e a presença ou ausência de som, por outro. Esta escolha deve ser feita em função da água e das condições em que vamos pescar. As maiores devem ser usadas em águas menos límpidas e/ou quando houver alguma agitação à superfície provocada pelo vento. Não tem de haver muito vento, basta uma ligeira brisa para que as maiores sejam as mais indicadas, aliás, não se deve usar este tipo de amostras com muito vento, porque isso lhes retira a sua elegante forma de deambular na recuperação. O som também faz sentido apenas quando há vento ou então quando se preveja que os achigãs estejam fundos e se torne necessário despertar a sua atenção.

Ramon Menezes com a sua Zara Spook preferida

Ramon Menezes com a sua Zara Spook preferida

Quando a água está parada, então devemos usar amostras mais leves, pequenas e sem som. Para mim, é nestas circunstâncias que dão o seu melhor.

Parar, não parar?

Segundo os puristas, uma coisa que nunca se deve fazer é parar o movimento. Ele pode ser mais rápido ou mais lento, mais seco ou mais brando, mas nunca se deve parar… Todavia, eu gostava de ter algumas notas por quantas vezes já vi os achigãs atacarem numa paragem ou mesmo numa amostra completamente parada, por vezes, ainda antes de se iniciar a animação.

O passeio é executado com toques de pulso seguidos que obrigam a amostra a evoluir lado a lado. Se quisermos acção com ângulos próximos dos 180 graus devemos dar o toque seco, mas com um certo intervalo para o próximo, é o que aconselho quando temos de dar tempo ao peixe, em águas menos transparentes ou mais frias. Se quisermos bater água mais depressa, especialmente quando esperamos que os peixes estejam activos, devemos ser mais rápidos em tudo, mesmo entre toques, o que origina ângulos de 90 a 120 graus.

Muitas vezes vemos os peixes em perseguição, e a falhar a amostra vezes seguidas, e a nossa tentação é a de pararmos a recuperação. É natural, mas muitas vezes os peixes desinteressam-se por elas precisamente no momento da paragem. O melhor é educarmos a nossa recuperação e deixarmos que ele persiga até uma distância a que ainda não nos possa ver, tudo o que seja mais perto é arriscar demasiado, vale mais pararmos porque, ainda que ele se desinteresse, podemos sempre voltar a tentá-lo. Essa medida pode variar consoante a luminosidade, a presença ou ausência de vento e a transparência da água, há situações em que vai aos dez metros e outras em que a quatro ainda não nos vê.

Quando?

As passeantes são excelentes escolhas para as horas de menos luz

As passeantes são excelentes escolhas para as horas de menos luz

Como amostras de superfície que são, usam-se preferencialmente nas horas de menos intensidade luminosa ou, pelo menos, quando há sombras. Se houver algum vento poderemos usá-las, uma vez que será o suficiente para baixar a penetração da luz e para arrastar presas para o raio de alcance dos achigãs.

As baixas temperaturas da água costumam inibir-nos de usar este tipo de amostras, porém, não custa nada experimentarmos. Em determinadas circunstâncias, por exemplo, se tivermos águas muito transparentes, especialmente na presença de coberturas duras, como pedras ou árvores, podemos ter êxito com amostras de superfície deste tipo. Nas massas de água mais pequenas e com menor profundidade também é normal que os peixes ataquem todo o ano à superfície.

Para ilustrar o primeiro exemplo, basta lembrar que o actual recorde europeu foi pescado à superfície em Santa Clara, em Janeiro, com a água a 12 graus. A amostra utilizada foi uma Zara Spook, da Heddon, de cor azul e prateada.

Quanto a materiais, tudo o que se disse sobre as poppers e hélices serve para este caso, teremos apenas de ter em conta que algumas destas amostras são muito mais pesadas o que obrigará a uma acção superior embora a ponteira deva ser de recuperação lenta ou regular.

Recorde europeu de Joaquim Fernandes - 4,700 Kg

Recorde europeu de Joaquim Fernandes – 4,700 Kg

Casos especiais

Se não houver vento deve-se pescar com amostras sem som, como já se disse, mas também é importante que se evite que a amostra caia na água com muito estrondo. A animação da amostra deve ser pausada e não se devem executar paragens.

Há pouco tempo aprendi mais uma forma de pescar com estas amostras que consiste precisamente no oposto da anterior e pode ser usada em qualquer altura, como experiência… Pode ser que resulte. A ideia é lançar para lá de um determinado ponto de emboscada, onde imaginemos um achigã à espreita, e deixar a amostra cair na água com muito barulho, vale a pena mesmo fazer o lançamento em arco para provocar mais estardalhaço. Assim que a amostra caia na água deve-se iniciar a recuperação rápida, fazendo-a passar pelo local de emboscada. A ideia é imitar um ataque a um peixe-presa que se consegue libertar iniciando uma fuga… É genial não é?

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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