Esta frase pode ser de desolação para alguns e eu fui dos que mais falou contra este defeso. Sempre com uma ressalva: enquanto não houver outras medidas, que se mantenha e respeite esta.
De facto estamos em tempos em que, de alguma forma, se pretende voltar ao que estava antes. Já disse uma vez que isso é consequência direta da mudança de tutela da pesca para o Ambiente, quando antes estava na Agricultura. Continuo convencido disso. O que me preocupa é alguém pensar que o estado que foi criado com decisões anteriores do Estado, e com repovoamentos feitos ao acaso por quem quis, podem ser agora, em alguns casos muitos séculos depois, poderá alguma vez ser revertido para voltarmos a uma pureza abstrata que só alguns conseguem compreender na sua totalidade, ou pelo menos pensam que conseguem.
Carpas, pimpões e tencas foram trazidas para este retangulozinho a que chamamos Portugal muito antes de ele se chamar assim, e sabe-se lá o que teria vindo antes. Depois vieram as trutas arco-íris, os achigãs e a perca-sol, tudo isto em tempos em que se permitia que a poluição, entre outros fatores, quase acabassem com a entrada de salmões e de esturjões, entre outros, achando-se até natural. Agora, como se de um truque de magia se tratasse, os nossos técnicos acham que conseguem erradicar as chamadas espécies invasoras.
Tenho a certeza de que não vai ser assim, mas até que se convençam disso, a pesca do achigã vai continuar a ter dias maus, dias bons e dias «assim-assim», porque a Natureza faz a autorregulação por si mesma.
Os pescadores que se sentem no direito, porque uma licença lho outorga, de levarem para casa tudo o que pesca, continuarão a fazê-lo. Mas eu também sei que eles estragam e depois, ao constatarem o estrago, face a dificuldades que uma população reduzida impõem, acabam por mudar de locais de pesca, permitindo que a população se recomponha minimamente. Os ilegais, que pescam para vender apenas com a licença de pesca, ou seja sem serem profissionais, terão o mesmo tipo de comportamento.
Já os restantes… Em que me incluo. Apesar de lhes custar, cumprem a lei e respeitam as espécies que procuram, premiando as suas capturas com uma devolução ao meio… Não me entendam mal, o prémio não é do peixe, é do pescador. É pelo menos assim que penso.
Depois de se terem levantado fantasmas com o fim do defeso e com o fim da medida mínima, que ainda não sabemos se aí vêm ou não, eu continuo a perguntar: e depois?
Esta pergunta é uma provocação e uma constatação. Com o nível de fiscalização que temos, cada um continua a fazer o que quer, exceto os legalistas como eu, mas nem os que trazem tudo e pescam no defeso, nem os que libertam tudo, serão impedidos de o fazer. Será que com este pacote de que se aguarda conclusão virá uma fiscalização tão boa que veja cada pescador soltar, se for proibido, ou levar para casa tudo como até agora?
Não quero faltar ao respeito a ninguém, mas custa-me que se perca tempo a legislar coisas que na prática não se possam implementar.
Eu gostaria de ver uma gestão da pesca orientada para uma satisfação da pesca lúdica que respeitasse as espécies com mais valor económico, dentro do possível, dentro de limites razoáveis que permitam a manutenção das nossas espécies autóctones nos seus habitats naturais. Claro que isso está muito longe do alcance dos ecologistas modernos e, como tal, longe de quem tutela a pesca hoje em dia.
Já dei inúmeras ideias. Nem sequer são minhas, são estudos de outros países onde se faz gestão. Resta-nos apenas uma solução: é o «faça-você-mesmo». O associativismo na pesca tem de servir para que nasçam concessões onde se possa fazer o que mais ninguém quer – GERIR!
Bom defeso. Fiquem bem.


Concessões e reservas (POAs p.e.) é o que mais há. Gestão… nem por isso.
Mas também não é possível fazer gestão estando limitados por legislação.
Ou seja, se alguma associação, ou sei lá “amigos da barragem Y”, pensarem em fazer uma gestão em que não há defeso, nem medidas mínimas, e a espécie Z e W devem ser proibidas de devolução, etc, etc, várias destas medidas podem ser pura e simplesmente impossíveis pelo enquadramento legal.
O mais simples seria não haver enquadramento legal mesmo, excepto para atividades como pesca profissional ou pesca por meios não autorizados. Quanto ao resto umas “cartas deontológicas”, ou sugestões/recomendações de gestão è entrada de cada barragem seria o indicado.
Apelava-se assim à consciência de cada pescador, que não é particularmente boa tendo em conta o lixo que vai nascendo.
Reparo também que muitas ideias – sem grande fundamento biológico na minha opinião – para aumentar a qualidade/quantidade de achigãs, tais como C&R ou preocupações com a destruição de posturas por captura em ninhos, esquecem o fundamental: o ecossistema presente (espécies, alimento, estrutura da massa de água, etc). O problema não é termos pouco achigãs, é termos 1% de achigãs para 90% de carpas, ou outros equilíbrios pouco interessantes do ponto de vista do pescador lúdico e do de achigã em particular. Deixo este ponto da relação de biomassa entre espécies para opiniões mais exatas a partir das observações feitas pelos pescadores com sonda…
Boa tarde amigos! Gostaria de saber se no período de defeso não pode pescar ou se não pode levar o peixe. Apesar de já morar em Portugal há 6 anos, na pesca aqui comecei apenas no ano passado. Pratico a pesca desportiva e solto TUDO que pesco e estou com muita vontade de arremessar umas artificiais, por isso a pergunta!
Obrigado!
Olá Eduardo.
O que a lei diz é que é proibido pescar ás espécies que têm defeso.
Olá Alberto, obrigado pela resposta.
Eu sei o que diz a lei, mas minha dúvida é qual a interpretação correta. Vamos supor que estou pescando carpas e por um milagre do destino, apanho um bass e o policial chega nesse exato momento, sou preso?
Ou se vou até uma lagoa e começo a arremessar algumas iscas artificiais, isso é crime?
Essa é que é minha dúvida, entende?