A minha breve carreira de revolucionário político acabou ainda antes de terminarem os dias difíceis do pós «25 de Abril», tão abruptamente como tinha começado. Realmente nem me apetece falar de política, mas estamos a enfrentar dificuldades que parecem trazer árduos dias de luta apenas pelo direito a pescar…
Já nos anos 70 do século passado, um partido dito «verde» fez estragos no nosso desporto num país como a Alemanha. Aproveitando-se de ser «contrapeso» num governo de coligação, levou a aprovar e aprovou um pacote de leis que faz com que a pesca naquele país nunca mais tenha saído da sua pré-história. A legislação é tão restritiva que tem de se fazer uma carta de pescador em alemão, mesmo para os estrangeiros que não falam a língua. Além disso, não existe uma federação nacional, como existe para todos os outros desportos, nem um calendário de competição organizado, dando mesmo a ideia de ser proibido fazer competição em pesca… Enfim, um país em que pescar é ainda uma atividade recolectora e não um desporto em si.
Agora temos Espanha em que se quer proibir a pesca a uma série de espécies invocando que se têm de exterminar as espécies não autóctones por métodos mais agressivos, pelo menos é o que consigo compreender da situação.
Em Espanha a luta está renhida, com toda a gente da pesca envolvida. Tenho acompanhado as movimentações de Jesús Espósito, presidente da AEBass, e de José Luis Bruna, presidente da Federação Espanhola de Pesca e Casting… Tenho visto como estão ativos nas redes sociais e nos contactos com a Administração. Não creio que um sector desportivo com o peso que tem e um outro económico também com peso na economia possam ser, pura e simplesmente, apagados da sociedade espanhola. Não me parece que possa acontecer.
UNETE a la Plataforma. Eres necesario.Campaña de difusión para buscar la unidad de todos los afectados.#plataformaendefensadelapesca
Portugal está num impasse de que não sabemos como se vai sair. O que sabemos é que as pessoas que detêm a tutela pensam da mesma forma.
Preocupa-me, assim, que se as coisas em Espanha não mudarem, venha esse efeito acabar por nos atingir.
Mas preocupa-me mais ver como, por cá, cada um trata de si e, a maior parte do tempo, estejamos enterrados nas questõezinhas do dia-a-dia das organizações de provas, de angariação de membros, etc. e ninguém pense que, de repente, pode ser necessário criar uma frente como se fez em Espanha. Aliás, com a soma de más vontades que vejo no nosso desporto e a incapacidade para reunir em torno de consensos de base, receio bem que deixem que o nosso desporto vá perdendo espécies e, de espécie em espécie, qualquer dia não sobre nada – nem desporto!
Depois, senhores pescadores, isto é para vocês, estarão dispostos a enfrentar a lei e a ordem se ela for contra nós? É bom que estejam ou então vamos acabar a competir em jogos de computador e de distância de lançamento e, quem sabe, de estética de pesca, com notas de júris sobre quem lança mais perfeitamente… É isso que querem? É bom que se preparem para dias muito difíceis.
Eu nem sei por onde andarei quando estas bombas cá chegarem, mas para já manifesto toda a minha solidariedade aos nossos amigos espanhóis e desta espero bons ventos de Espanha e bons exemplos como já estão a dar.
Cá em Portugal estarei sempre na linha da frente numa luta pela nossa pesca, pela nossa espécie e nunca voltarei costas a uma luta por qualquer disciplina desportiva que respeite as espécies como a nossa respeita. Se o carp fishing precisar da minha ajuda, cá estarei! Se qualquer disciplina da pesca desportiva correr os riscos que as das espécies exóticas estão a correr, cá estarei! E, assim, sinto-me no direito de solicitar a todas as federações, associações e clubes de pesca, bem como importadores, fabricantes e lojas de material de pesca que se unam e que coloquem tudo o que puderem nesta luta, porque com esta gente a mandar… Nunca se sabe o que esperar!



Caro Hermínio, é de facto preocupante. Já há muito, que os rumores e vontades puristas dos conservavionista dos gabinetes se agitam e movem, enquanto ‘nós’ parecemos ignorá-los, concentrando os esforços nos ‘concursos’. Sempre tenho comentado isso, e quando estive ‘envolvido’, (mui particularmente no Capp) essas (estas) preocupações estiveram a par da competição/concursos, encontrando-se infelizmente actuais, todas as preocupações que manifestei em 1990, em carta dirigida à então Direccao do Servicos Aquícolas. Abraço
Olá Zé
Como deves compreender a dimensão dos ataques ao nosso desporto não existiam porque ele em si era incipiente. As coisas são muito diferentes hoje. A ameaça é internacional é própria de um tempo de radicalismos que estamos a ver em ação.
Espero que tudo se resolva, mas a competição, meu amigo, deve ser o principal motivo destes ataques…
Continuo a achar que a competição é a melhor forma de divulgação de um desporto qualquer, o nosso não é excepção.
O que me preocupa é que temos conseguido mais divisão do que união através dela… Quem sabe se é desta que, devido a elementos e ataques externos, vamos finalmente encontrar o nosso caminho.
O meu texto é um alerta… Mas não tenho medo nenhum. Daqui só puderemos sair mais fortes.
Um abraço
Nada que me surpreenda. Como sabes, há muitos anos que estou preocupado e sempre achei estranho que mais ninguém estivesse. Sou eu que vejo bem, ou sou eu que vejo mal? O futuro o dirá. Preparem-se.
Boas
Eu pesco a predadores com amostra no Douro e Tâmega o tipo de peixe que mais sai ( mesmo com pesca “tradicional”) é perca sol, achigã,lúcio perca,ablete e recentemente algumas capturas de lúcio real, se querem acabar com as espécies exoticas , vamos pescar o que?