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Afinar sondas! São tantas as vezes que escuto estas palavras, que acho que está na altura de esclarecer umas coisas sobre o que se afina!

Quando me pedem para afinar uma sonda, ou dizem que eu é que sei afinar sondas, ou que algum entendido afinou a sonda… Percebo que falta afinar umas coisas, mas não a sonda!

Quero que fique claro que, deixar alguém afinar a nossa sonda é como deixar alguém escolher a nossa refeição, ou uma música que devemos ouvir. A sonda representa graficamente informações sobre o que se passa por baixo do nosso barco, portanto se somos nós que vamos depois interpretar a imagem temos que ser nós a configurar ao nosso gosto e para as nossas necessidades.

Outro factor que torna imperativo sabermos afinar a nossa sonda, é que ela não permanece afinada eternamente em quaisquer condições! Factores como a profundidade, a temperatura, a turvação, os sais dissolvidos, e mesmo a quantidade de algas influenciam e muito, uma boa ou má leitura da sonda.

Claro que existe sempre aquela magia que é colocar tudo em automático e nesse caso fica sempre “mais ou menos”…

Afinar sonda

Vamos ao que interessa: Afinações.

Existem diversos tipos de afinações, as mais básicas e que se mantêm são por exemplo o idioma, a data e hora, as cores e etc, estas afinam-se uma vez e pronto. vamos considerá-las permanentes. Sobre estas não vale a pena falar, pois imagino que toda a gente saiba que idioma escolher, que horas, etc…

Depois temos as semi-permanentes, que são as leituras que nos mostra o ecrã e as vistas que aparecem no ecrã, a identificação de peixes, etc. . Sugiro que é importante ter apenas as vistas que sabemos usar, e em ecrãs pequenos, é de evitar, dividir o ecrã, pois acabamos por perder muita informação. Ter por exemplo a vista do flasher activada (a Humminbird tem esta possibilidade, não sei se outras marcas também têm), só atrapalha. Apesar de ser muito útil na pesca vertical, requer muita prática na sua interpretação, portanto, não aconselho. O que aconselho é ter a janela RTS (real time sonar ou seja sonar em tempo real) SEMPRE visível, além de nos dar a informação instantânea, do que a sonda está a ler, continua a funcionar quando usamos o cursor para “congelar” o ecrã. Aconselho também ter visível a escala de cores, pelo menos até estar familiarizado com a sonda e as cores do sonar. A identificação de peixes só uso em casos muito especiais, (por exemplo quando se usa as duas frequências do transdutor em simultâneo), mas por norma só atrapalha a leitura do ecrã.

Por fim temos as afinações, mais propriamente ajustes, que são obrigatórias sempre que
queremos ter uma boa leitura da sonda. As principais são:

  • Sensibilidade
  • Contraste
  • As escalas
  • A velocidade do ecrã
  • As frequências do transdutor / ângulo do cone
  • Os filtros (interferências de superfície e switchfire)

Devo salientar que estes ajustes são baseados nas sondas Humminbird apenas porque são as que tenho, mas as outras marcas têm mais ou menos os mesmos ajustes, podendo variar os nomes…

Sensibilidade

A Sensibilidade como o nome indica, torna a sonda mais ou menos sensível aos ecos, aumentando a sensibilidade vamos ter mais obter mais informação no ecrã, mas podemos ‘sobre-saturar’ a imagem. e reduzindo vamos ter um ecrã mais “limpinho”, mas atenção que a sensibilidade não tem influência sobre o tamanho do objeto, mas sim, sobre a sua densidade (podemos dizer que é o botão do volume de um rádio), portanto quando diminuímos a Sensibilidade vamos perder informações sobre: termo-climas, zonas de águas turvas e até mesmo vegetação aquática. o ideal é reduzir ou aumentar até ter uma boa leitura, mas sem deixar o ecrã nem “limpo” nem saturado demais.

Contraste

O contraste dá uma ajuda , quando temos alguma “sujidade” no ecrã, o seu ajuste permite que a leitura do mesmo seja mais fácil e uma maior ou menor distinção da densidade/dureza do que nos aparece no ecrã . Na realidade quando aumentamos ou diminuímos o contraste estamos a aumentar ou diminuir o diferencial entre a intensidade dos ecos recebidos. Exemplificando: Se, como no caso da palete de cores padrão da Humminbird, o eco mais fraco é representado pela cor preta (objecto ou fundo macio e de baixa densidade) e o eco mais forte é representado pela cor amarela(objecto ou fundo duro e de alta densidade), diminuindo o contraste as cores desses respectivos ecos passariam a ser azul para o eco mais fraco e vermelho para o mais forte.

Escalas

As escalas são nada mais nada menos que os limites de profundidade máximos e mínimos que queremos ver na sonda. Quando pescamos em águas relativamente baixas, pouco profundas, a escala superior deve ser zero, pois assim temos toda a informação da coluna de água e não perdemos muito detalhe, quando pescamos em águas mais profundas, ajustamos a escala para um valor intermédio para assim não perderemos muito detalhe, por norma a partir dos 10 metros costumo ajustar a escala superior para metade da profundidade desejada, ou da profundidade média de onde navegamos/ pescamos, ficando assim com uma espécie de zoom a multiplicar por dois, pois, no mesmo espaço do ecrã apenas temos representada metade da coluna de água, perdendo no entanto a informação da metade superior da coluna de água. Exemplificando, se estamos a pescar em 10 metros de profundidade ajustando a escala superior para 5 metros no nosso ecrã apenas vamos ver o que se passa nos 5 metros mais próximos do fundo.
Na escala inferior, ou mais baixa temos duas opções, ou o automático, para termos constantemente a informação do fundo mas com o inconveniente de ter “saltos” na imagem apresentada quando a sonda muda a escala automaticamente. ou escolhemos uma profundidade ligeiramente maior que a profundidade que queremos pescar e neste caso temos uma leitura constante do fundo, com o inconveniente de perder a informação quando estamos em águas de profundidade superior. Um truque quando se pesca a crank ou spiner e queremos manter o barco numa determinada profundidade é ajustar estas escalas para valores próximos e simétricos da profundidade desejada, e assim tentar manter a linha do fundo no centro do ecrã sem ter que nos preocupar com a leitura da profundidade. Exemplo para pescar a 5 metros: Ajusta-se a escala superior para os 2 metros e a escala mais baixa para os 8 metros, quando estamos nos 5 metros a linha do fundo está no centro do ecrã, quando a linha baixa no ecrã temos que aproximar o barco da margem, e vice-versa.

Velocidade do ecrã

Quanto à velocidade do ecrã deve ser ajustada em função da velocidade de avanço do barco, para que o comprimento das formas representadas seja proporcional à sua altura, pois a altura é uma leitura exacta (ou quase), já o comprimento depende da velocidade de rolamento do ecrã, para tal temos que saber exactamente o tempo que o ecrã demora a ser totalmente percorrido em cada velocidade, para assim fazer umas continhas e ajustar correctamente. Em breve faço um texto apenas sobre a velocidade do ecrã e aí explico melhor. Acrescento somente que no ajuste da velocidade, nas pescas verticais ou em velocidades muito lentas de navegação a velocidade do ecrã deve ser aumentada para perto do máximo, sendo isto um contra-senso, mas fica-se com uma mais rápida actualização da informação no ecrã e torna os objectos maiores e mais fáceis de serem vistos, e nestas velocidades a leitura do fundo pouco importa, pois com o barco parado (ou quase) essa leitura é apenas do local onde estamos e será quase sempre um plano.

Frequências do Transdutor / ângulo do Cone

Não me vou alongar muito sobre as frequências do transdutor e seus respectivos cones, pois já escrevi aqui um artigo apenas sobre esse tema, cuja leitura aconselho. No entanto chamo a atenção para que nas águas pouco profundas e planas os 83 kHz (ângulo do cone de 60°, em que largura do cone ronda aproximadamente a profundidade) terem alguma utilidade, pois abrangem uma maior área e que em águas profundas e em fundos de acentuada inclinação os 83 khz podem ter leituras bastante enganadoras. sendo que os 200 kHz (ângulo do cone de 20°, em que largura do cone ronda aproximadamente a 1/3 da profundidade), permitem obter leituras com mais definição e precisão.

Filtros

Na Humminbird (desconheço se as outras marcas também os têm, mas presumo que sim), existem dois tipos de filtro:

As interferências superficiais (surface clutter) que permite o ajuste da Sensibilidade apenas na zona superficial da coluna de água e é útil para eliminar todas as interferências dessa zona que são provocadas por ruídos, algas, ondulação, matéria em suspensão, gases dissolvidos e etc.

O switchfire é bastante útil e quando em modo limpeza retira do ecrã os objectos de tamanho reduzido e de baixa densidade, no entanto quando se pesca na vertical e queremos ver o isco e aos peixes mais pequenos pode ser prejudicial.

Existe um terceiro filtro que atua directamente no transdutor e que é o filtro de ruído (noise filter), mas que apenas se configura quando temos ruídos / interferências no transdutor provocados pelo motor, mas passa a ser uma configuração ou ajuste permanente.

Estes são os ajustes/ configurações que considero mais importantes, e que todos os utilizadores de sondas para pesca de achigã ( e não só) devem saber como funcionam.

Estes ajustes encontram-se na generalidade das sondas, mas como os menus são diferentes aconselho a praticarem, mesmo em casa, colocando a sonda no modo simulador. Podem alterar as definições à vontade que elas não ficam guardadas (pelo menos é assim na Humminbird, nas outras não sei ao certo…), portanto é mexer à vontade até entender o que se está a fazer!

Mais uma vez relembro que este artigo é apenas o meu ponto de vista e fruto da minha pouca experiência com sondas, portanto correcções, sugestões, ajudas, críticas ou dúvidas são sempre bem vindas!