Vamos lá tentar explicar o que é o chirp, ou pelo menos como eu penso que é…
Primeiro que tudo é preciso saber como funciona uma sonda: Nada mais simples, o transdutor envia um pulso de energia sobre a forma de uma frequência ultra-sónica (50 kHz até 1,2MHZ), e depois recebe o eco desse pulso, analisando o tempo decorrido e a potência com que esse eco é recebido, e tendo em conta a velocidade dessa frequência na água e a atenuação dessa mesma frequência a sonda determina a profundidade e a densidade do alvo que retorna esse eco.
Sabendo que a quanto mais alta a frequência, maior é a atenuação da mesma, é claro que quanto mais alta a frequência e maior for a profundidade, mais energia tem que ser colocada no pulso enviado pelo transdutor. Como a potência das sondas é limitada, para maior energia aumenta-se a duração do pulso. E é esta duração do pulso que nos limita na separação dos alvos (peixes) que o Chirp vem melhorar. Para se entender melhor a coisa… Num pulso de mais tempo os ecos de alvos próximos vão sobrepor-se pois o segundo eco chega antes do primeiro ter terminado, recebendo assim um pulso mais longo que o enviado.
AGORA O CHIRP… No chirp não é enviado um pulso de uma frequência, mas sim um longo pulso onde a frequência sobe e desce dentro de uma determinada faixa (amplitude) o que faz com que a quantidade de energia seja muito maior que nas sondas sem chirp e que a separação dos alvos seja muito maior, pois o sonda vai tratar a informação por faixas de frequência e não por pulsos de apenas uma frequência.
Não querendo entrar em explicações muito técnicas, apenas explico que a separação dos alvos na sonda sem chirp é igual à velocidade de propagação do som na água x tempo do pulso /2, e na sonda com chirp a separação é igual à velocidade do som na água / 2X a largura de banda.
Como tal temos que na sonda normal a separação depende do tempo de pulso que é condicionado pela frequência utilizada e pela profundidade, e no chirp a separação depende apenas da largura de banda utilizada, que por sua vez está condicionada pelo transdutor e pela capacidade de separação de frequências.
Visto isto e como os fabricantes não explicam muito sobre o assunto não conseguimos fazer as continhas necessárias para tirar as dúvidas, mas dá para concluir que a separação de alvos no chirp é sempre igual independente da profundidade ou frequência usada e no sonar sem chirp essa separação é inversamente proporcional à profundidade e à frequência. Não esquecer que estou a considerar maior separação, quanto menor a distância de separação dos alvos (mais definição).
Sabe-se ainda que a humminbird usa mais um ou outro truque no sonar convencional (sem chirp) para diminuir o tempo de pulso nas frequências mais altas, tal como usar o cristal dos 83/200 kHz para determinar a profundidade e enviar o tempo de pulso mínimo necessário nos cristais das frequências mais elevadas, e ainda reduzir ao máximo o ângulo dos cones de propagação concentrando assim a energia do pulso necessária.
Umas contas podemos fazer e que também definem a resolução/ separação e que tem a ver com os pixels do ecrã: Numa sonda com uma vertical de 480 pixels a uma profundidade de 10 mts temos uma resolução de pouco mais que 2 cm por pixel, o que é muito bom, na minha opinião. Ecrã com mais pixels tem mais definição, portanto mais se justificará o chirp.
Só para concluir, como pescamos sempre a baixas profundidades (relativamente à capacidade das sondas) penso que o chirp não terá grande vantagem… No entanto, como se usa cada vez ecrãs maiores, e isto é apenas teoria pois não sei ao certo os tempos de pulso nem as larguras de banda usadas, e como não sou especialista em nada disto, espero que apareça por aqui quem explique melhor ou que me corrija ou que fale por experiência própria ou que metas umas fotos para tirarmos conclusões e ideias que é assim que se aprende!



