Varrimento lateral, SideScan ou SideImage… Quem fala de sondas usa estes termos e hoje em dia quase todos usamos esta tecnologia. Embora se possa pensar que não nos interessa saber como funciona e basta ver o que está no ecrã, será que sabemos o que estamos a ver? Será que o que vemos no ecrã é mesmo o fundo da massa de água que estamos a pescar/navegar? De certeza que não é! O ecrã é plano e varia a cor o fundo é tridimensional e a cor é mais homogenia!
Então o que é? É uma representação gráfica baseada em intensidade luminosa monocromática, tipo uma silhueta…
Como funciona? Em primeiro lugar esta tecnologia só é possível a uma quantidade de factores: Ângulos muito pequenos no sentido da deslocação e muito grandes lateralmente, frequências altas, inclinação do transdutor, grande potência das sondas e cristais de tamanho considerável.
No sonar convencional os transdutores usam cristais redondos direccionados perpendicularmente á superfície, que permite cones com um determinado angulo, cobrindo uma área circular do fundo. Sabemos que quanto maior o tamanho do cristal menor é o angulo de emissão das vibrações (som). Assim nos sonares de varrimento lateral usa-se cristais muito compridos e estreitos criando um feixe de som (já não é um cone) muito estrito no sentido do comprimento do transdutor e muito largo perpendicularmente ao mesmo, cobrindo uma área oval muito alongada, assemelhando-se quase a uma linha. Conseguimos assim que a reflexão do som seja apenas feita por uma faixa muito estreita no sentido do comprimento do transdutor mas muito larga no sentido perpendicular.
O uso de frequências mais elevadas é usado para permitir o uso desse feixes bastante finos e a reflecção de pequenos objectos, pois sabe-se que para o som ser emitido ou reflectido o objecto tem que ter pelo menos o tamanho do comprimento de onda da frequência desse som, ou seja: 1450 (velocidade do som na agua) / 455000 (frequência) = 0,0032mts, ou seja qualquer objecto com pouco mais de 3mm vai reflectir o nosso som. Isto para a frequência de 455kHz.

Ao contrário do sonar convencional, no varrimento lateral a nossa sonda não analisa o tempo que o som enviado demora a chegar, mas e porque o som é emitido numa superfície estreita mas comprida, em que as duas extremidades estão distantes uma da outra, o som que chega vai ter uma duração superior (cerca de 0,0007S por metro), é exactamente o que acontece com o eco que ouvimos nas montanhas, o eco é sempre mais longo que o som original pois é reflectido por objectos a diferentes distancias. A sonda compara a variação da quantidade de som que chega ao transdutor (tendo em conta a quantidade que foi emitida e com a atenuação devido á distancia) nesta linha de tempo e representa uma linha no ecrã variando a intensidade luminosa dentro de uma cor. Com o rolar do ecrã e a adição destas linhas forma-se a imagem no ecrã da sonda. E porque existe essa variação da quantidade de som? No sonar convencional sabemos que a quantidade de som reflectida é maior quanto mais duro for o fundo, o que também é verdade no varrimento lateral, mas a inclinação do objecto também aumenta ou diminui essa intensidade do som reflectido, portanto quanto mais vertical estiver o fundo ou um objecto, mais intensidade de som chega ao transdutor e mais luminosa aparece a cor no ecrã da sonda. Aproveitando esta ideia ficamos a saber que as zonas com cor mais escura são zonas de pouca inclinação (planas) e as zonas mais claras são zonas mais inclinadas (ou a subir).
Com o rolar do ecrã e a adição destas linhas forma-se a imagem no ecrã da sonda. Se o barco estiver exactamente no mesmo sítio não existe imagem, sendo apresentada sempre a mesma linha, não existe “varrimento”. Mas quem já usou ou usa esta tecnologia vai dizer que mesmo com o barco parado o ecrã não é sempre igual e que a coisa funciona na mesma, mas… Atenção que na água é difícil estar parado, mesmo um movimento angular pequeno a 25 mts de distância a rotação de apenas 2 graus dá cerca de 90cm, portanto… Concluímos também que o varrimento lateral precisa de movimento o mais rectilíneo possível para maior facilidade de interpretação das imagens.
Quando não chega som ao transdutor no ecrã não aparece cor, fica preto, isto acontece no espaço em que o som viaja até encontrar o fundo e ai sabemos que é a nossa coluna de água. Acontece também nas chamadas zonas de sombra, ou seja, por detrás de qualquer objecto, seja ele uma pedra no fundo, um peixe suspenso ou mesmo a própria margem ou um cabeço.
Estas sombras são muito importantes, com elas podemos ter a percepção da altura de pedras ou de árvores que se encontram no fundo, e podemos calcular a que distancia se encontra um peixe que seja visível na coluna de água, pois pela imagem apenas temos uma ideia da profundidade a que se encontra e não a que distancia está do barco. O mesmo acontece para os peixes representados na zona do fundo, pela imagem do mesmo sabemos a que distancia está do barco mas não sabemos a que profundidade se encontra, só analisando a “sombra” do mesmo conseguimos ter uma noção quase exacta da localização. Mas isto será assunto para mais tarde…
Esta explicação é apenas baseada em muita pesquisa sobre este tema, não sou especialista em física nem em nenhum destes assuntos. Se alguém quiser corrigir ou acrescentar alguma coisa, agradeço.

