Antes de começar quero explicar que por águas públicas entendo todas as águas de acesso livre e por águas privadas entendo todas as águas de acesso reservado (reservas, concessões, etc.).
A questão em torno das águas públicas e privadas é algo com que me tenho debatido nos últimos tempos. O último artigo do Hermínio Rodrigues aqui no basspt.com fez-me voltar a pensar no assunto, e gostaria de aqui expor a minha opinião e saber a vossa.
Também já aqui foi publicado um artigo onde se falava no problema da actual lei da pesca, com o qual estou totalmente de acordo.
Bem, começando pelo inicio, a primeira coisa que julgo que todos temos que compreender é que a pesca pode ser encarada de várias formas, e os pescadores não têm todos os mesmos objectivos. A acrescentar a isso, existe ainda a maior ou menor informação de cada pescador em relação ao ambiente e ao habitat dos peixes, mas isto vai dar novamente aos objectivos de cada pescador.
Para mim, existem os pescadores de fim-de-semana, os pescadores com necessidade de reconhecimento e os pescadores sérios. Passo a explicar.
Para mim um pescador de fim-de-semana não é aquele pescador que apenas pesca nos fins-de-semana, nada disso, isso somos praticamente todos, para mim estes pescadores são aqueles que vão à pesca sem terem qualquer interesse em saber o que quer que seja sobre as espécies que vão pescar. Limitam-se a utilizar uma ou duas técnicas que alguém lhes ensinou só porque lhes apetece, sem qualquer tipo de preocupação se é ou não a adequada para a situação de pesca em que se encontram. São também aqueles que não ligam nenhuma ao tipo de material, nem sabem adequar as amostras à cana de pesca. Não quer com isto dizer que não gostem de pesca, gostam, e por isso é que vão, mas se gostassem mesmo a sério certamente que se esforçavam por aprender mais qualquer coisa. Muitas vezes são pescadores de achigã mas com bóia e pardelha/verdemã ou mesmo com asticô. Estes são os que pescam 10 ou 15 peixes para fritar, independentemente do tamanho que tenham, normalmente até são pequenos.
Para mim um pescador com necessidade de reconhecimento (peço desculpa, mas não me ocorre neste momento um termo melhor) é a evolução do pescador de fim-de-semana, ou seja, é um pescador que tem realmente o vício da pesca, informa-se e aprende técnicas de pesca, sabe utilizar o equipamento de forma correcta mas não tem noção do seu impacto ambiental uma vez munido dos conhecimentos e equipamentos adequados. São aqueles pescadores que apanham todos os peixes que conseguem, mas muitos já respeitam a lei no que toca ao tamanho dos peixes capturados, devolvendo à água os achigãs com menos de 20cm. No entanto estes pescadores sentem a necessidade de apresentar os peixes que pescam perante outros pescadores, como prova de que são bons pescadores, e se não forem grandes, ao menos que sejam muitos!
Para mim um pescador sério é mais uma vez a evolução do último. São pescadores que aprofundam ao máximo os seus conhecimentos sobre técnicas e equipamentos, apanham todos os peixes que conseguem mas, no final, estando cientes do impacto que causam no ambiente, acabam por libertar novamente quase todos, senão mesmos todos os peixes que capturaram. São os verdadeiros desportivos!
Enfim, cada um tem os seus objectivos na pesca, como referido pelo Hermínio Rodrigues, e isso é escolha de cada um. O problema que se vive neste meio é que os objectivos de uns colidem com os objectivos de outros, e mais grave ainda, é o facto de o mesmo pescador ter objectivos contraditórios para consigo próprio, se não vejamos: um pescador que perde tempo a informar-se, investe em material de pesca de qualidade e a aprender como utilizá-lo, é um pescador que gosta de ser reconhecido no seu meio como um bom pescador. Ora para mim, um bom pescador é aquele que consegue apresentar resultados consistentes e que tem uma boa média de capturas de peixes grandes, no entanto, se não libertar esses peixes grandes, com o passar do tempo vai capturar cada vez menos peixes grandes, o que é contraditório. Chamo a atenção que ao fazerem isto não acabam com os peixes nas barragens, simplesmente acabam com os exemplares mais atractivos e que mais gozo nos dão a capturar, tornando este desporto menos atractivo e mesmo desencorajante.
Para mim, o cúmulo da contradição existente entre pescadores que levam peixe para casa e os que libertam o peixe é quando um pescador liberta um peixe maior e o outro manda vir com ele por o ter feito, dizendo que aquilo não se faz, que o peixe era grande e devia ter ficado com ele. É óbvio que apenas dizem aquilo porque estão perante uma situação que desconhecem e que vai contra aquilo que lhes foi incutido, não percebendo ali logo que essa situação lhes é favorável, ou seja, se eu liberto um peixe maior, existe uma boa probabilidade de esse peixe voltar a ser pescado, e até pode vir a sê-lo por esse pescador que acha que isso não se devia fazer, mas se não libertar, aí é que mais ninguém tem hipótese de o pescar. Só depois de confrontados com este ponto de vista é que percebem que afinal quem liberta os peixes lhes está a fazer um favor.
Os pescadores que libertam os peixes fazem-no por vários motivos. Os meus são simples, quero continuar a ter o maior número de peixes possível para capturar e, acima de tudo, quero ter as melhores hipóteses possíveis de capturar grandes exemplares. Sou assim da opinião de que os grandes exemplares devem ser protegidos, e julgo que todos os que praticam o pescar e libertar também partilham desta opinião. A meu ver, na lei da pesca, mais importante que a existência de uma medida mínima para o peixe que se pode reter, seria a existência de uma medida máxima.
Expressos estes vários pontos de vista, não me parece que os dois primeiros tipos de pescadores tenham qualquer problema com os últimos, que libertam os peixes, muito pelo contrário. O choque acontece quando se matam os peixes maiores. Ninguém está a cometer nenhuma ilegalidade, e os pescadores estão no seu direito, mas os pescadores que libertam sentem-se indignados, pois vêem ser-lhes retirada a possibilidade de virem a capturar um peixe record.
É aqui que entra a minha questão inicial, sobre o futuro da pesca do achigã passar por águas públicas ou privadas. Pois bem, eu acho que passa pelas duas.
Para qualquer pescador seria sempre melhor que todas as águas fossem públicas, no entanto, não vejo outra saída para os pescadores sérios que libertam todos os peixes que não sejam as águas privadas, à semelhança do que já aconteceu em Portugal com a caça. Só dessa forma conseguirão garantir a qualidade de capturas por que aspiram. Claro que o simples facto de se libertar os peixes não é garante disso, será necessário efectuar uma gestão activa dos recursos, mas já é meio caminho para lá chegar. Mesmo na caça, os caçadores que antes matavam tudo o que conseguissem, agora têm que se reger pelas regras das reservas, e não foi por isso que deixaram de caçar, mas em contrapartida, ao serem obrigados a fazê-lo de forma controlada garantem o futuro.

Uma das capturas de uma pescaria numa massa de água de acesso reservado (as outras foram semelhantes e muitas melhores)
Não sou a favor de que todas as massas de água se tornem privadas, mas estou convicto que os pescadores sérios se devem organizar, criando reservas de pesca, onde possam praticar o seu desporto com uma média de capturas acima do quilo.
Quero ainda deixar claro que eu passei pelas três fases de pescador que menciono neste artigo, e embora seja defensor do pescar e libertar, percebo e respeito todos os outros pontos de vista enquanto forma legal, mas discordo enquanto mentalidade. Eu escolhi evoluir a minha mentalidade, pois verifiquei que os conhecimentos e técnicas que tinha ao meu dispor se tornavam uma vantagem injusta para os peixes, e se não começa-se a libertar os peixes que capturava, rapidamente ficaria sem peixes nos locais onde costumo pescar.
Exposto o meu ponto de vista, gostaria de saber as vossas opiniões nos comentários abaixo, e se concordam ou não com a privatização das massas de água.



Concordo e subscrevo, Alberto Nunes! Ja fui um pescador de levar para casa exemplares acima da medida mínima, no entanto tambem a minha mentalidade mudou! Todos nós, os amantes deste desporto, têm sempre a esperança/sonho de capturar o exemplar da sua vida. Ora isto significa exemplares de grande porte! O que cada vez é mais escasso, muito por culpa dos pescadores que não praticam o Pescar e Libertar. Sendo assim, acho e sou da opinião que a privatização de algumas massas de água, trará aos pescadores “sérios” e respeitadores desta especie, e à propria espécie em questão, a hipótese de um futuro mais promissor, com o garante de reprodução e crescimento da especie. Portanto, julgo ser uma medida a ter em conta, e a ser adotada brevemente o facto da privatização de barragens! O nosso futuro enquanto pescadores desportivos que praticam o Pescar e Libertar,coincide com o futuro da espécie que nos proporciona aqueles momentos inesquecíveis.
Catch and Realease. 😉
Também concordo com tudo o que foi escrito e com o comentário do Fabio. Eu também passei pelas 3 fases antes de perceber que se continuasse a levar e matar estaria a dar um tiro no pé em termos de gestão dos recursos, e como se costuma dizer:”onde não há não se pode tirar”!
Para os que levam tudo poderão continuar a fazê-lo nas aguas publicas, enquanto os pescadores sérios e respeitadores deverão associar-se e privatizar massas de água para que possam desfrutar da sua paixão com exemplares de tirar o fôlego, em massas de água bem geridas, condicionadas e livres de “rapas”. Logo a privatização é o único caminho para quem pesca e liberta… quanto aos outros… Fiquem com aquilo que criaram…
eu concordo com tudo o que foi dito, mas a uma questão hoje em dia muito importante, que é muitos pescadores dantes pescavam só por desporto mas hoje em dia já é mais que isso, para muitos é o seu ganha pão e os grandes culpados de levar os peixes todos com medida e sem medida é dos restaurantes que compra tudo, e como as pessoas não tem dinheiro, vão há pesca para ganhar algum.
eu sou da zona da albufeira de montargil se vê muito cá isso e ate vão para aguas privadas contra a lei para apanhar peixe para vender.
e agora ate nas grandes superfícies ( intermarche, continente)há black bass a venda
o peixe que se vende no continente, em Coimbra, vem do alqueva foi o que me disseram quando eu comentei que os barbos não eram daqui e que achava que eram do Guadiana
Boas… o peixe vendido nas superficies comerciais vem catalogado como capturado no Rio Guadiana… Mas pode muito bem ser no Alqueva…
Concordo parcialmente com o que foi dito, a saber: uma massa de água só pode ser privada se receber unicamente agua da propriedade onde se situa, se correrem para essa massa de água ribeiros ou regatos vindos de outras propriedades a mesma terá de ser ou livre ou concessionada (neste caso a um clube ou associação de pescadores). Aqui há 45 anos atrás o achigã não tinha defeso nem medida mínima e (pelo menos na minha zona) os pescadores eram muitos mais, com capturas numerosas e de bom calibre (os peixes tinham entre 0.5 e 1 kg), mas não haviam corvos marinhos! Aqui no Alentejo faz mais estragos um bando de corvos marinhos numa semana do que 50 pescadores desportivos num ano. No caso da privatização de algumas massas de água para pesca desportiva sou absolutamente contra, porque iríamos cair no mesmo da caça: só os ricos poderiam ir à pesca.
José, não estamos aqui a discutir leis. No primeiro parágrafo pode ler-se: “Antes de começar quero explicar que por águas públicas entendo todas as águas de acesso livre e por águas privadas entendo todas as águas de acesso reservado (reservas, concessões, etc.).”
Em relação a haver mais pescadores e mais peixe à 45 anos, não sei, não sou desse tempo, mas isso vai de encontro a uma das questões que levanto, que é o facto de actualmente os pescadores estarem munidos de técnicas e conhecimentos que se não forem aplicados de forma regrada contribuirão para a maior escassez de peixe nas nossas massas de água, e uma das principais preocupações que levanto é o tamanho do peixe. O peixe nunca vai acabar por completo, mas os exemplares que me fazem levantar de manhã, esses sim, vão escasseando.
Concordo também com a problemática dos corvos marinhos.
Não é uma questão dos “mais ricos” é que pescam…. digamos que “os mais apaixonados é que pescam” porque eu não sou de longe rico, nem vivo desafogadamente, mas se tiver um local cheio de peixes de kilo e maiores e as capturas num dia de pesca se sucederem farei um esforço herculeo para que consiga fazer parte desse paraíso… nada mais do k isso… E é claro k será sempre impossivel privatizar tudo e nem acho k se deva fazer… só acho k os pescadores k defendem a pesca e a especie se devem juntar e criar o “seu” sitio de pesca, em concordancia com os seu ideiais… Os outros (volto a repetir) fiquem com aquilo k criaram…
Sou a favor do publico,mas alteraria muitas das regras de gestão da pesca, começando com uma apertada vigilancia,limitando o numero de capturas que poderiam levar para casa a 3 peixes a medida desses peixes seria de 20 a 30cm,todos abaixo e acima teriam de ser libertados.As multas seriam maiores, as licenças um pouco mais caras, mas toda essa verba teria de ser aplicada em repovoamento e vigilancia.
Outra coisa a acabar por mim seria a porra do peixe gato,lucio-perca e outras especies meio aparvalhadas com que me tenho deparado por aí. Como é possivel haver licenças para pesca de achigã,barbo,carpa,com rede para venda comercial,já assisti na atouguia da baleia interpelei os pescadores que me garantiram estar licenciados.
A gestão das albufeiras por parte da EDP deveria ser repensada e punida pois todos os anos assisto ao mesmo caso periodo de desova com albufeiras cheias que a EDP trata de esvaziar de seguida e sem motivo algum deixando a desova a seco, inadmissivel mas real.
Para quem não sabe um peixe adulto superior a 3kg desova uma quantidade 3 a 4 vezes superior a 1 de 1.2kg, só por si peixes desses garantem o repovoamento das albufeiras e com melhores genes certamente que os mais pequenos.
Pesco há 40 anos desde sempre pescando e libertando inicialmente porque não gostava de peixe para quê levar se não comia peixe de água doce mais tarde por razões ecologicas, sempre fui apelidado de maluquinho “pescas para quê se devolves”
para alem daquilo tudo que foi escrito , penso que a um factor que quase todos os pescadores ainda não se aperceberam que foi a introdução de novas especies que estão neste momento a devastar toda a fauna piscicula.Se nao forem tomadas medidas de contenção e conservação das nossas massas de agua muito brevemente a nossa fauna piscicula,e já incluo nela o tão nosso amado blak bass ,e, as carpas irão desaparecer por completo. criem-se coutos privados com optimas gestões do que andar-mos kw e kw sem capturar-mos um unico exemplar digno desse nome e assim não teremos o prazer de passar-mos o testemunho as futuras geraçoes..O custo pela esploração dos coutos sera irrisorio perante o prazer que iremos ter!
Eu sou da opinião que as concessões podem ser uma coisa muito boa para quem gosta mesmo de ir à pesca.
Mas para isso a mentalidade do tuga tem que dar uma volta de 180 graus.
E não falo só dos pescadores pois muitos são exactamente como foi descrito. É que enquanto as concessões olharem para as massas de água apenas e só como mais uma forma de angariar mais uns trocos lá para a junta de freguesia ou para a associação lá do burgo e estando completamente nas tintas pra os pescadores e para os peixes a coisa nunca vai passar da cepa torta.
E infelizmente 90% das concessões do nosso pais não passam disso mesmo, uma outra forma que alguém um dia se lembrou de ´´dar de comer“ a meia duzia de pseudoentendidos que nada percebem do assunto.
E não falo apenas e só das massas de água com basses pois o que mais se vê agora aqui pela zona centro é barragens concessionadas que pouco mais teêm do que carpas.
Felicito-o por ter trazido o assunto á discussão
Foi infeliz a sua classificação dos pescadores em 3 tipos sendo totalmente inadequada e fora do contexto real que é a pesca em Portugal Todos somos pescadores de achigã e a atitude perante a pesca assume-a cada um dentro da legalidade. essa atitude pode alterar-se com esclarecimento e não com divisões e exclusões.
Não vou adiantar mais nada em relação a esse assunto para não divergir do essencial.
Convém iniciar esta análise pelo levantamento da situação atual.
Águas particulares / águas de utilização publica em propriedades particulares
Temos centenas de açudes em propriedades particulares uns são privados outros serão de utilização publica
Consultando a página do ICNF pode ler-se – Pesca em águas particulares- Compete ás administrações de região hidrográfica proceder á determinação das águas.
Nestas águas , e desde que devidamente sinalizadas só podem pescar os(as) indivíduos autorizados pelo(a) proprietário(a),
Segue-se a exemplificação da placa sinalizadora.
Em toda a minha vida de pescador desportivo só vi um açude sinalizado.
Qual a realidade – os açudes sejam de utilização publica ou privados estão aramados com portões fechados a cadeado que impedem o acesso. Isto transforma muitos dos açudes de utilização publica em privados.
Esta ilegalidade não acontece apenas nas propriedade particulares sendo o mais escandaloso que conheço o que se passa na barragem de Vale de Gaio no Torrão em que a associação de regantes do sado fechou o acesso á água em redor da estalagem.
Denunciada esta situação á SEPNA nada fizeram para repor a legalidade,
Os açudes privados existem e a sua utilização pode ser potencializada com proveito dos pescadores, dos proprietários e da preservação do achigã,
Concessões de pesca -É uma boa ideia para os açudes públicos em propriedades privadas ou mesmo para zonas de grandes barragens publicas.
O que se passa no entanto com as concessões existente é que elas são atribuídas na sua maioria para se tornarem barragens particulares dos donos das propriedades.
Os regulamentos não são estabelecidos segundo as características das massas de água em questão, estes não são cumpridos com frequência, e quando denunciada a situação mais uma vez nada se altera. Exemplifico com a concessão da barragem da venda velha em Rio Frio- Regulamento – Horário de pesca- Do nascer ao por do sol todos os dias.
O que acontece – Ao fim de semana não permitem a pesca e durante a semana é apenas entre as 8h e as 17h e apenas nalguns períodos durante a época de pesca. Denunciada esta situação ao ICNF há cerca 1 ano tudo continua da mesma.
A aquisição das licenças diárias implica um deslocamento prévio ao local de venda o que é impeditivo de que pescadores de fora da zona da concessão possam adquiri-las, pois os horários de venda são incompatíveis com a prática da pesca no mesmo dia. Acresce que não existem contactos telefónicos para que de qualquer outra forma se possa comunicar com os concessionários.
Sobre as concessões de pesca tenho vários episódios verdadeiramente anedóticos que me aconteceram e que em outra ocasiões poderei relatar e que espelham a total desorganização neste sector.
Em resumo
– Impedimento ilegal de acesso ás águas publicas para a prática da pesca desportiva.
– Total ausência de sinalização dos açudes
– Regulamentos obsoletos nas concessões de pesca
– Total ausência de fiscalização e de atuação das autoridades fiscalizadoras da pesca desportivas fazendo com que se perca a confiança na sua acção.
Como minimizar ou resolver os problemas de que todos nos apercebemos.
Somos muitos milhares, temos direitos que não são cumpridos, mesmo quando denunciados.
A associação por grupos regionais parece-me uma forma de procurar melhorar a pesca ao achigã e a sua preservação-
Lanço o desafio para que neste forum semanalmente se debatam estes problemas procurando atrair a atenção das entidades reguladoras e fiscalizadoras e os poderes autárquicos podendo ser a génese de uma associação que consiga fazer ouvir a sua voz e defender os seus direitos,
Privatização- Sim ou Não-
Sim – grupos de pescadores organizados apenas em açudes privados, organizando-se particularmente e negociando as condições com os proprietários
As propriedades com turismo rural ou de habitação e que tem açudes privados tem a possibilidade de associar ás suas ofertas jornadas de pesca. Apenas conheço uma que o faz.
Não- nas barragens publicas. Neste caso poderá haver lugar a intervenção organizada por meio das concessões de pesca.
Proponho que cada um destes temas sejam discutidos individualmente, com relatos de experiencias pessoais, pois muito mais se pode dizer acerca de cada um deles e com o
contributo de todos algo se possa mudar- é demasiado otimismo mas vale a pena tentar.
Boa noite e já agora parabéns pelo seu artigo!
É uma grande verdade o que foi aqui dito, custa-me a ausência
de fiscalização e pergunto-me para que servem as licenças????
Visto que nunca vi uma autoridade e hoje com muito pesar
digo que talvez não vá pescar mais ao achigã este ano, pois
ando a o libertar peixe de 20g e vejo a seguir a apanharem
tudo e não há números para alguém ligar nem nada!
Hoje onde eu me divertia e as vezes trazia um peixe de quilo
Nem há peixes com 100g é só peixe pequeno e muito
batido!
Expliquem-me onde está a fiscalização e o que posso fazer?
Eu gosto de pescar e gostava de continuar a poder fazê-lo!!!
Cumprimentos
Excelente texto, Alberto. Aqui no Brasil também possuímos MUITOS problemas por conta de pescadores que matam peixes, chegando a ponto de serem raros os locais que se pode encontrar Bass em aguas públicas.
Diogo
São Paulo – Brasil
Para mim há pescadores, mais ou menos evoluidos mas são todos bem vindos ás massas de águas deste pais.
Os pescadores são pessoas e como tal evoluem o suficiente para serem o que são na atividade piscatória.
Não deixa de ser bom que alguns peixes sejam levados para casa, também é mau que se levem todos.
Importante mesmo é que haja algum equilibrio entre os que morrem e os que são devolvidos á água.
Temos de ser mais objectivos quando falamos do que é realmente benéfico ou prejudicial para a pesca.
Não devemos ser damasiado fundamentalistas.
Principios como pescar e no fim deitar fora os peixes pescados estão tão errados como levalos todos para casa.
Os pescadores que libertam os peixes devem faze-lo logo a seguir á captura e não no final da jornada, devem ainda ter o cuidado de perceberem no momento da libertação se o peixe nada e se afasta e se não torna a vir ao cimo de água, á muitos peixes libertados que morrem passado algum tempo, outros podem ser facilmente predados por outros predadores que os encontram debeis depois de libertados pelo pescador.
Como pescadores temos de ter presentes algum principios e saber que depopis da luta o peixe fica enfraquecido dai o cuidado que o pescador deve ter ao liberta-lo sendo por isso importante deixar que o peixe se acalme e logo de emediato o liberte no mesmo local e não no final da jornada de pesca e num local desconhecido para o achigã.
Se o fizer-mos ao final entramos nos pescadores gabarólas, que pescam para mostrar aos outros.
Mais um artigo desprovido de conteúdo, manipulado para manipular e uma vergonha para todos os pescadores Portugueses.
Que animais mais orgulhosos do que os homens para fazerem da pesca um desporto, peixes não são bolas de bilhar, sentem dor, sentem trauma e os gabarolas fazem sites de pesca sem conteúdo, poucas ajudas, pouca evolução, que por sinal significa precorrer o caminho e não fazer o que o Menezes e o Hermínio dizem.
O que querem é um tanque com peixes amestrados, comprem um, mas não mecham na opinião dos pescadores que privam os peixes a passarem pela segunda ou mais vezes dor, lábios rebentados e guelras furadas!
O peixe merece alguma dignidade, por mim mais do que vocês merecem, abençoados profissionais da BASS.
Inventem peixes mecânicos que vos satisfaça o ego, os Achigãs são animais selvagens até serem pescados a primeira vez, não querem comer, não deviam magoar os animais e quem pesca feito parvo e mata tudo respeita tanto como vocês.
Espero do fundo do coração que vivam todos os dias com o peso na consciência de maltratarem, abusarem de uma espécie que nem é de cá, foi trazida! Envergonhem-se!
Boas amigos.
Sr. Lerias, ou…..!!!!!
Acabei de ler o que escreveu, e meus Deus……mas bem tirei algumas conclusões.
. De achigãs, percebe 0…..
. Não gosta do site em questão mas lê os artigos…….
. Deve conhecer o Menezes e o Hermínio, pois está a tratar estes Sr´s por (tu), como deve saber são defensores dos achigãs……..
. Ou não gosta destes Sr´s, Menezes e Hermínio…….
Para finalizar o que me parece é que o sr. não pesca!!!!!! Ou já tentou pescar e até em competição, mas como nunca fez nada de jeito vem para aqui tentar destabilizar, mas não consegue acredite.
A dor te cotovelo é grande eu percebo…….
Grande abraço
David Amado
Caro sr. Lerias
1º- com esse tipo de criticas ao site percebo que nunca ou leu os artigos aqui do site ou então acha-se o maior que não tem necessidade de ler para aprender e evoluir.
2º- Diz que o site não tem ajudas nem conteúdo e diz para fazer o que o SR. Hermínio diz, curioso que a grande maioria dos artigos deste site são da autoria do SR. Hermínio
3º- os peixes têm dor sim, mas concerteza preferem estar vivos do que mortos, depois tem outra,sofrem muito mais quando capturados e mantidos em redes horas até morrer pois não se conseguem mexer. pois se quer privar os peixes de sofrer deveria mata-los assim que os pesca.
4º – Não percebe minimamente do achigã e como fazer com que as populações aumentem, bem como o seu porte, pois se estes forem sempre “rapados” dificilmente teremos uma coisa ou outra. Se preservar a especie e os seu habitats não é dar dignidade ao achigã, não será com redes cheias de palmeiros que está a dignifica-lo
5º – Depreendo algum ressabiamento em relação á BASS e aos seus associados, e pescadores de competição, o que me leva a pensar que não está aqui para comentar ou criticar , mas antes simplesmente para desestabilizar. Concerteza fará parte de outra agremiação.
6º – Desconhecia que os achigãs depois de pescados a primeira vez passavam a ser domesticados, secalhar da próxima não levo cana, basta chama-los que ha-de vir algum que eu ja tenha devolvido.
7º – Como diz e bem esta espécie não é de cá, foi trazida, visto que até sabe, veja como fazem os nativos em relação a preservação e dignificação deste fantástico peixe desportivo. porque nos EUA eles PESCAM E LIBERTAM…
Um bem haja e seja feliz
Em resposta aos seus pontos:
1- Já tenho lido e as conclusões estão tiradas: obrigatoriedade de postagens, dá nisto.
2- Eu sei ler, sei quem escreve e com que intenções, não critico nada disso, critico que no fim dos embelezamentos, muitas vezes nem uma cor favorável são capazes de dizer.
3- Eu ao contrário dos Srs. Hipócritas, quando tenho intenção de matar um peixe faço-o no momento da captura se as condições lhe forem favoraveis, e se tiver que libertar uma peixa grande e com ovas, também.
4- Está a confundir pesca ao achigã com pesca profissional, informe-se!
5- Errado, pesco para mim, não dou dinheiro aos americanos nem aos Portugueses que dizem uma coisa e fazem outra. Defesa da Natureza!!!!! Poupem-me!
6º – É a falta de informação que dá nisso vá ver videos de achigãs que são apanhados á mão com presas mais pequenas…
7º- Querem fazer como na américa? pois é mas a europa não é a América, os biliões que a pesca ao achigã movimenta lá ultrapassa o nosso PIB portanto é uma comparação nula.
Felicidades!
Boas pelo que vi concordo com que foi falado, eu mesmo já apanhei muitos achigas sem medida, mas vamos ver uma diferença entre apanhar para comer ao para vender, todos as vezes que pesco dependendo da barragem onde vou, se tiver possibilidade de trazer os sem medida vivos trago, não para comer ao para vender!!! para sim para colocar numa barragens que tenho, óbvio que sinto me mal ver gajos numa barragem apanhar os pequenos para restaurante, em quanto eu os mandava para agua, foi por esse motivo que eu trago eles vivos, tenho onde os meter e ali neguem entra, todos anos povo barragens, ao contrario de muitos por ai, ate tenho barragens povoadas em segredo, nem imagino se fosse tornado publico seria destruído num só verão, niguem sabe o quanto é bonito ver uma barragem tão bonita e ver uns 3 ao 40 achegas de 1 kg e mais andarem em grupo a roda da agua em quanto caminhas na rua e eles seguem me, eu tenho isso porque eles forem desses pequenos achigas que salvei numa barragem que fui melhor desta zona e agora esta destruída, por gajos que os capturem para vender,não me venha nem se quer primeiro falar que isto é errado só se não for então desse grupo criminoso
Algumas questões sobre águas públicas: quase todas as grandes barragens, digamos acima dos 100 ha, estão sujeitas a que se chama um Plano de Ordenamento de Albufeiras, com restrições que não consigo compreender, desde zonas de proteção do paredão, até zonas de acesso interdito (normalmente os “braços”), de elevada proteção ambiental, suponho que para proteção da vegetação e da aves e outra fauna contra a passagem ocasional do pescador de corrico… Ou seja, basicamente está-se a construir reservas.
Outra questão atrás levantada é (a dificuldade d)o acesso a águas que em princípio são livres… creio que aqui há uma “luta velada” entre os “proprietários” e os pescadores que deixam garrafas de minis por tudo quanto é sítio (entre outras ações pouco recomendáveis). Por uns pagam todos…
Quanto ao pescar e libertar é uma opção de gestão. Má na minha opinião. Tendo em conta a explosão, após a reprodução, e o número elevado de pequenos peixes (digamos até 2 anos) TODOS estes deveriam ser removidos quando capturados para melhorar as hipótese de sobrevivência dos que escaparam (pois o alimento disponível será melhor distribuído). Quanto a peixes maiores talvez o 50/50. Não creio que o problema seja a necessidade destes para reprodução, mas sim a necessidade de peixes troféu cada vez maiores para conseguirem capturar “nicho ecológico” aos outros peixes que podem dominar a massa de água (possivelmente o mais habitual serão a carpa, a perca-sol e o peixe-gato) através da remoção de mais exemplares destes por predação.
Mequinenza, em Espanha, tem uma elevada população de achigãs, muito acima do habitual em Portugal. É verdade que o C&R ao bass é prática comum lá, mas suspeito que o siluro, e o lúcioperca serão os que mais ajudam no controle das carpas deixando algum espaço ecológico para o aumento dos efetivos do achigã (info pesquisada sobre populações de peixe em Mequinenza).
Finalmente alguém diz algo digno de leitura, com base no estudo, gostei deste comentário que é enriquecedor.
Para informação dos srs. profissionais atentos, Não existem Associações em Portugal de defesa do Achigã, O que defendem é a pesca do achigão, não necessáriamente a sua qualidade de vida, longevidade, ou até mesmo respeito pelo seu habitat.
Para os que não sabem, sim é práctica entre pescadores activos Norte-americanos e por todo o mudo o pescar e libertar, mas falamos de lagos pessoais com gestão apertada em que tudo o que não pertença lá para deixar os peixes felizes, é removido (no caso do EUA). Ao passo que há nas água públicas e privadas muitos pescadores que pescam para comer, a diferença é que esses não são alienados pelos extremistas que se contentam em ter os seus lagos repletos de peixe-troféu.
A pesca tem dois componentes chave: técnica e sorte. É inegavél, se pescam pouco e não estão satisfeitos têm que começar a levar os vossos exemplares engordados no aquario para prender ao anzol e talvez se lembrem de um elástico que não magoe o peixe. Porque por vontade deles, os peixes preferem estar vivos, sim, mas como qualquer animal, intocados e com a sua dignidade intacta.
Bom defeso para os que têm que gramar com ele… 🙂
Pessoal concordo com todos vocês e respeito todas as vossas opiniões, eu tenho a minha teoria acerca da escassez de peixe nas nossas massas de agua. Não concordo que seja apenas o fator da pesca e não solta que cada vez há menos peixe nas nossas massas de agua. Ora vejam estes exemplos.
1- será mais grave um pescador capturar 2 ou 3 peixes e levá-los para comer, respeitando as medidas ou um zê carioca que possui 300 hectares de olival e todos os meses aplicar carradas de produtos fitofarmacêuticos que quando chove são transportados para as barragens e para os rios dizimando assim as espécies piscícolas.
2- a fraca ou nenhuma fiscalização das autoridades, dou-vos como exemplo o meu caso, tiro a licença de pesca desde os 12 anos, vou a pesca para alqueva, rio guadiana, santa clara, barragem do roxo, Odivelas, chança etc, tenho 35 anos e ainda nunca ninguém me fiscalizou.
3-Em alqueva há zona onde pessoas estendem redes com 400 metros para captura de peixes para o continente.
4- O ecossistema, se repararem quando pescam numa barragem nova nos primeiros 2 ou 3 anos da sempre muito peixe, e depois deixa de dar aquela quantidade de peixe que dava e porque? não é porque o capturaram todo, é porque naquele espaço de tempo começa a desenvolver-se um ecossistema que antes não havia. a albufeira enche com agua dos canais onde vem grandes quantidades de peixe, e depois comem o que? não há algas, não há verdemans, não há lagostins nem outros peixes ou seres que alimentam os peixes, dai apanharem grandes quantidades de peixe eles não tem nada que comer.
a pesca e não solta é apenas mais um fator que ajuda a diminuir a população de peixe mas não é nem o fator principal e esta longe de ser o único.
Sobre a nova lei de pesca que querem acabar com o defeso do achigã e com a devolução a agua por ser uma espécie invasora, eu pergunto que espécies do sul do nosso pais é que são autóctones? praticamente nunhuma, dizem que os achigãs acabaram com as pardelhas, mas na ribeira do Vascão continuam a haver pardelhas porque? porque não há la olivais super intensivos. Gostava de me encontrar com um destes ambientalistas que elaborou esta nova lei para lhe dizer umas coisas. Pessoal Obrigado por lerem a minha opinião é apenas a minha e continuem a pescar e a fazer uma coisa muito importante. RESPEITAR A NATUREZA. Abraço
Observando a sequência de imagens do artigo e respetivas legendas, nota-se que Alberto Nunes associa águas privadas/reservadas/concessionadas a muito e bom peixe, enquanto que as de acesso livre terão pouco e pequeno peixe.
Como se compreende os fatores que influenciam a existência da quantidade e qualidade de peixe são múltiplos.
A imagem da massa de água reservada ilustrativa de boas capturas poderia ser um exemplo das práticas de gestão que levaram a essa situação. Quais serão estas? Será uma barragem recente? Qual a situação de arranque da barragem (espécies introduzidas, quantidades, etc etc), C&R? Captura seletiva? Morfologia/estruturas/gestão da cota? Estrutura etária das espécies presentes?, etc etc.
Reparei que nesta barragem parece estar presente o jacinto-de-água (ou talvez não seja este). Se tal for o caso este problema poderá ter origem a montante, e certamente causará problemas a jusante. Seja que planta for, parece no entanto que poderá tomar proporções de praga. As infestantes aquáticas são, creio, também um dos problemas sérios das massas de água nacionais.
Aproveito para deixar a minha opinião sobre concessões: prefiro gastar €€€ de gasolina a pagar 1 que seja para uma concessão.
Sobre a questão da gestão de águas públicas/privadas, acesso a todo o “tipo” de pescadores e efetivos populacionais de peixes:
Retirar muitos achigãs de uma pequena charca leva a que os restantes sejam mais difíceis de capturar, e ao desinteresse por parte dos pescadores pela mesma. Infelizmente não é fácil estimar quantos lá ficam.
No entanto a população mais ano menos ano recupera e volta-se ao mesmo ciclo…
Ou será que não recupera por aí além, mas muda a composição em termos de agressividade dos peixes?
Dois estudos (em inglês) http://fishlab.nres.illinois.edu/Documents/PhilippEtAl_BassBook_2015.pdf e http://fishlab.nres.illinois.edu/Reprints/TAFS_Philipp_Selection.pdf entre outros certamente, apontam para algo que muitos devem ter observado: eles podem estar lá, mas não mordem….
Os estudos apontam para uma seleção (ou pressão seletiva) dos achigãs pela pesca… ou seja os mais agressivos apanham-se com facilidade, os menos vão ficando e na geração seguinte serão cada vez estes os mais abundantes (enquanto se continuarem a tirar os mais agressivos).
Acaba a pressão de pesca, e os mais agressivos passam a ter vantagem… comem mais, crescem mais rápido, etc, e passado algum tempo a barragem volta a ser visitada.
Existem outras nuances… por exemplo, achigãs mais agressivos também defendem melhor os ninhos (embora não esqueçamos que a taxa de sobrevivência seja mínima!! … podemos pensar que para se manter uma população de achigãs “estável” bastará que cada par de peixes gere outro par que consiga sobreviver; isto no total da meia dúzia ou pouco mais de ciclos reprodutivos da vida do par inicial). Achigãs pouco agressivos também permitirão a ocupação de parte do seu nicho ecológico por outras espécies… Gostaria ainda de referir a aprendizagem… embora peixes muito agressivos possam ser capturados várias vezes, de certeza que alguns aprendem a evitar vir passar uns segundos traumáticos fora de água … pelo menos é que parece quando eles viram as costas à amostra 🙂